"Primera
Reunión de Puntos Focales de la Red Latinoamericana de las Mujeres
del Sector Pesquero - Acuícola" - Informe Final - 5
y 6 de octubre del 2000
O PAPEL DA MULHER
BRASILEIRA NO SETOR PESQUEIRO
Por Eliana
de Fátima Marques de Mesquita
INTRODUÇÃO
Jovens e mulheres
pescadores enfrentam na América Latina uma realidade extremamente
complexa relacionada, basicamente, à sobrepesca e contaminação
da terra e da água cuja solução torna-se cada vez
mais difícil (Lopez & Jambrina, 1997).
A mulher desempenha
um papel importante em duas atividades de crescente interesse nos países
em desenvolvimento e na América Latina: pesca artesanal e aqüicultura
costeira (FAO, 1997a). Apesar de mais da metade dos alimentos cultivados
no mundo serem produzidos por mulheres e da segurança alimentar
depender de sua contribução, elas tendem a ser participantes
invisíveis em todo o processo de desenvolvimento, não
dispondo de poder necessário para ascender aos recursos, à
capacitação e ao financiamento de projetos. Fatores como
analfabetismo, falta de representação social e jurídica
resultam, em nível mundial, ao recebimento de não mais
que 5% dos recursos financeiros destinados à extensão
e capacitação pela mulher que trabalha (FAO, 1996).
O trabalho doméstico
é considerado como dos deveres primários da mulher, e
no caso específico da mulher pescadora ou cultivadora, a atividade
é vista como uma simples extensão de suas tarefas e não
ao uma ocupação a ser computada na economia nacional (Mora
et al, 1990; Lopez et al., 1997). Esta é a razão porque
mulheres são objeto de total ignorância nas estatísticas
oficiais.
Nos últimos
anos um crescente reconhecimento sobre o papel da mulher e de seus esforços
na sociedade, em nível social e institucional, surgiu no panorama
mundial, resultando em maior apoio às mulheres trabalhadoras
da África e Ásia (FAO, 1997b). Impossível, ainda,
saber de que forma os países latinoamericanos vêm incorporando
programas, políticas de desenvolvimento e investigação.
Em Niterói,
cidade de porte médio vizinha do Rio de Janeiro, o governo municipal
foi o grande catalisador e motivador da participação de
ONGs e Ocs da cidade. Através da participação do
própio prefeito e de seus secretários criaram-se parcerias
entre a Secretaria de Urbanismos e Meio Ambiente da Prefeitura de Niterói,
a Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro
(FIPERJ), o Departamento de Oceanografía e Hidrografia da Universidade
do Estadodo Rio de Janeiro (UERJ), o Departamento de Tecnologia de Alimentos
da Universidade Federal Fluminense (UFF), e ONGs como o Instituto Niteroiense
de Estudos Urbanos (INEU), o Instituto de Arquitetos do Brasil - seção
Niterói (IAB), a Secretaria de Estado de Planejamento e Controle
(SECPLAN), grupos comunitários como a Federação
de Moradores de Niterói (FANIT) e a Federação de
Pescadores do Estado (FAPESCA).
Outras parcerias
surgiram tais como Exército Brasileiro, Faculdade Maria Theresa
(Dpto. Biologia Marinha), Federação das Associações
de Pescadores do Estado do Rio de Janeiro (FAPESCA), Pontifícia
Universidade Católica (PUC/RJ), Agência de Desenvolvimento
Regional Metropolitana III (SEBRAE/RJ), Secretaria Municipal do Meio
Ambiente/Prefeitura de Niterói (SMMA) e Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ).
Projetos de pesquisa
subvencionados pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado
do Rio de Janeiro (FAPERJ) e Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), através
de bolsas e apoio financiero, vêm sendo desenvolvidos pelo grupo
do Laboratório do Pescado da UFF e os resultados obtidos apresentandos
em congressos nacionais, internacionais e publicados em periódicos
da área.
A ASSOCIAÇÃO LIVRE DOS MARICULTORES DE JURUJUBA, NITERÓI,
RJ, BRASIL (ALMARJ)
A comunidade de
Jurujuba, Niterói é o grupo mais tradicional que atua
na extração de mexilhões dentro e fora da Baía
de Guanabara, com um contigente de aproximadamente 70 famílias
de marisqueiros, relacionados direta ou indiretamente com a atividade.
A produção
é vendida para os restaurantes de Niterói e Rio de Janeiro,
sendo que aproximadamente 80% desta produção é
destinada, pelos atravessadores, ao consumo em São Paulo, sem
qualquer controle sanitário.
O maior problema
na comercialização do mexilhão foi sempre a falta
de garantia da sua qualidade, já que os grupos extratores de
uma maneira geral, não observam normas de higiene e sanidade
do produto. Tais condições inadequadas podem ter origem
na extração em áreas não recomendáveis,
no alto grau de poluição dos bancos mexilhoneiros, no
processo de beneficiamento e embalagem, incluindo o tempo entre sua
extração/cocção e consumo. O produto é
vendido sem identificação de produtor e de origem. Notícias
sensacionalistas veiculadas pelos veículos de comunicação,
por vezes, contribuem para aumentar o receio dos consumidores, elevando,
assim, os prejuízos da comunidade de marisqueiros (Teper, 1998).
O grande fator limitante
ao desenvolvimiento sócio-econômico daquela comunidade
está, principalmente, na super exploração dos bancos
naturais e costões, como tambén na falta de propostas
por parte das diversas esferas do executivo (municipal, estadual e federal)
através de órgãos que atuem diretamente no atendimento
à pesca e pescadores.
É opotuno
salientar que em termos organizacionais, foi criada em janeiro de 1992
a Associação Livre de Maricultores de Jurujuba, Niterói,
RJ (ALMARJ), como forma de dar início ao processo que garantirá
sua gradual evolução.
Exaustivas discussões
e negociações, procurando escolher a melhor proposta com
as características previstas no programa LIFE/PNUD1 (Local Initiative
Facility for Urban Environment/ Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento) convergiram para a escolha do projeto dos marisqueiros
da comunidade de Jurujuba.
MULHERES NA ALMARJ
Mulheres e crianças
normalmente têm importante papel no trabalho em terra dentro da
ALMARJ (nas operações de cozimento, desconchamento, ensacamento
e confecção de equipamento para o parque de cultivo marinho.
Cerca de 50 mulheres
encontram-se ligadas à Associação e a faixa etária
varia de 17 a 50 anos. 80% são alfabetizadas e 80-90% possuem
experiência anterior no setor pesqueiro. O ganho/dia/percapita
gira em torno de R$ 10,00 (dez reais) (US$ 5,40). Os cursos de manipulação
de alimentos (higiene, sanidade e tecnologia) ministrados por professores
da UFF atraiu cerca de 90% das mulheres trabalhadoras do setor.
Todas possuem jornada
única de trabalho dentro da Associação e desenvolvem,
paralelamente, atividades domésticas comuns.
PROJETO "MEXILHÃO RIO" - MARICULTURA E BENEFICIAMENTO
COMUNITÁRIO
DE MEXILHÕES
O apoio do LIFE/PNUD
neste projeto tem um caráter verdadeiramente estratégico:
trata-se de contribuir para que a atividade de sobrevivência artesanal
de um grupo comunitário de baixa renda salte para um novo patamar
tornando-se um empreendimento comunitário (ONU/LIFE/PNUD, 1999).
O projeto foi proposto
pela organização comunitária ALMARJ e seu foco
temático combina preocupação com o meio ambiente
e geração de renda. O objetivo principal é estimular
a produção não predatória através
da intrução do cultivo, da crianção intensiva
e do beneficiamento como domínio tecnológico que levarão
à redução da exploração dos bancos
naturais (Menezes & Teper, 1999).
Com uma duracação
prevista de um ano, o custo total do projeto está orçado
em US$ 122.000. A quantia requerida ao Programa LIFE é de US$
30.000.
A associação
dos marisqueiros aporta como contrapartida US$ 2.000 e a Prefeitura
de Niterói e o Governo do Estado aportam juntos US$ 90.000.
A estratégia
do projeto é promover o associativismo pesqueiro, participação
integrada dos profissionais de pesquisa, extensão e apoio junto
à comunidade e possibilitar uma atividade alternativa e complementar
para extratores e pescadores artesanais.
O projeto contempla
a capacitação técnica e ativa participação
comunitária em atividades de geração de renda.
Os responsáveis
diretos pela elaboração do projeto são Marcos Bezerra
de Menezes (consultor - maricultura e pesca), Sérgio Paulino
de Carvalho (economista) e Carlos Lima da Silva (consultor - articulação
e apoio operacional). Os responsáveis pela implantação
do projeto são Misael de Lima (Presidente da ALMARJ e da FAPESCA)
e Cristina Beatriz Teper (Especialista em Biologia Marinha e Planejamento
Ambiental).
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FAO. 1996. Las mujeres
alimentan el mundo. Cumbre mundial sobre la alimentación. Boletín
divulgativo. Http://www.fao.org
FAO. 1997a. Seguridad
alimentaria y la mujer rural, la unidad de esfuerzos para la igualdad,
para la paz hacia la vida en la tierra. Artículo editorial. Redes,
Boletín informativo de la mujer rural latinoamericana, no. 6
agosto, 1997)
FAO. 1997b. Seguridad
alimentaria y la mujer rural, la unidad de esfuerzos para la igualdad,
para la paz hacia la vida en la tierra. Artículo editorial. Redes,
Boletín informativo de la mujer rural latinoamericana, no. 6
agosto, 1977.
LOPEZ, B.M.T. &
M.C. JAMBRINA, 1997. Perspectivas de género para el desarrollo
sustentable en las comunidades costeras: Trabajo y pesca responsable.
Redes, Boletín informativo de la mujer rural latinoamericana,
no. 6 agosto, 1977 15p.
LOPEZ, B.M.T, P.A.
SAAVEDRA, Y. LAGOS & A. PINTO. 1997. La mujer en la pesca artesanal:
Experiencias chilenas. FAO, Santiago (Chile). Oficina regional para
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38p.
MENEZES, M.B. &
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17p.
MORA, O., B.M.T.
LOPEZ, P. WITHAM, C. NEIRA & P.A. SAAVEDRA. 1990. Taller sobre la
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Sur - Oriental. FAO, Santiago (Chile). Oficina regional para América
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20p.
TEPER, C.B. 1998.
Parque de Mexilhão da Associação Livre de Maricultores
de Jurujuba (ALMARJ). Notas pessoais. 14p.
AGRADECIMENTOS
Queremos agradecer
muito sinceramente à bióloga marinha Cristina Beatriz
Teper e ao Sr. Misael de Lima, Assesora Técnica e Presidente
da ALMARJ, respectivamente, pela parceria bem sucedida que culminou
com o presente manuscrito.
Aos nossos estagiários/bolsistas dos Laboratórios de Tecnologia/Inspeção
do Pescado e de Microbiologia de Alimentos que são o grande elo
de ligação entre a universidade e a comunidade do setor
pesqueiro. Ao CNPq e FAPERJ pelo apoio financeiro. E, finalmente, aos
colegas, funcionários e amigos que no cotidiano nos incentivam
na realização e desenvolvimento de nossos projetos de
pesquisa.